sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Simplicidade.


Um lembrete cotidiano, escrito às pressas, 
em uma folha de guardanapo presa por um ímã de geladeira, 
às vezes vale muito mais do que aquele cartão em papel couché,
com uma ilustração linda na capa
e letras douradas em alto relevo, 
que nem sempre dizem o que vem de coração.

Nabila Hage.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Infância.

Ser criança é encontrar felicidade no desenho animado com biscoito recheado e suco de laranja no meio da tarde, depois do dever de casa.
Ser criança é rabiscar nuvens, sol e árvores numa folha de papel e escutar um enérgico "Você é um artista!" da mãe ou da tia do colégio. Mas rabiscar na parede da sala de estar é bronca e puxão de orelha na certa.
Ser criança é viajar para mundos distantes sem sair do lugar, ao sentir os ouvidos acariciados pela doce voz materna a lhe contar pela enésima vez aquela história de castelos, príncipes e fadas antes de dormir.
Ser criança é emocionar quando menos se espera com a espontaneidade de um sorriso.
Ser criança é desconcertar com palavras crua e ingenuamente sinceras.
Ser criança é vibrar ao esboçar os primeiros garranchos que formam seu próprio nome.
Ser criança é arrancar sorrisos de orgulho ao balbuciar as primeiras palavras ou dar os primeiros passos desengonçados.
Ser criança é amolecer numa questão de segundos um coração engessado por anos com um simples olhar de quem quer carinho.
Ser criança é não se importar com a opinião alheia e sequer ter consciência de que ela existe.
Ser criança é ser sábio sem saber.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Lembranças.

Queria poder lembrar e não me machucar.
Queria poder lembrar e não sentir raiva.
Queria poder lembrar e saber lidar.
Queria poder lembrar e reviver.
Queria poder lembrar e apagar.
Queria poder lembrar e esboçar um sorriso.
Queria poder lembrar e gargalhar.
Queria poder lembrar e sonhar. Acordada.
Queria poder lembrar e revelar que nem foto.
Queria poder lembrar, revelar que nem foto e rasgar depois.
Queria poder lembrar, revelar que nem foto e depois colocar em um porta-retrato.

Queria poder lembrar e apenas lembrar.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Desabafo

Venho aqui desabafar apenas, porque hoje não é dos meus melhores dias e eu preciso externar o que tô sentindo. Esse post não será divulgado, mas também não há problema se, por acaso, alguém chegar a lê-lo. Pra vc que por acaso está lendo isso, pense o que quiser, que sou dramática, piegas, reclamo à toa. Mas tem dias que todo mundo fica pra baixo e não sabe explicar bem o porquê. E hoje é meu dia. É sexta-feira. Muitos diriam: "vc assim em plena sexta-feira? Sexta-feira é dia de sair por aí e esquecer os problemas." Eu tô assim sim e daí? Por acaso é regra ser feliz toda sexta-feira? E é regra que toda segunda-feira é um saco? Engraçado que minhas segundas feiras tem sido melhores ultimamente. Mas em geral não sinto ânimo pra fazer muita coisa, meu sono é cada vez maior, eu me boicoto o tempo todo, adio minhas obrigações, fujo da realidade. E tudo isso me faz refletir sobre minha vida. E me faz pensar se não estou sendo fútil demais, superficial demais, medíocre demais. Eu me importo com o passado e com pessoas que não fazem mais sentido pra mim. Eu tenho atitudes mesquinhas muitas vezes. Eu não vou à casa de minhas avós, que moram praticamente do meu lado. Minha faculdade me desestimula cada vez mais. Eu sinto saudade do meu namorado. Eu me preocupo demais com minha aparência. Eu nunca termino de ler um livro. Eu julgo demais as pessoas. Eu tô chorando agora. Enxergar meus erros e falhas é muito difícil, prefiro dormir. Mas agora eu estou sendo sincera comigo mesma e admitindo muita coisa que, pra muita gente, é difícil de admitir. Pelo menos eu enxergo e posso querer mudar tudo isso. Mas por onde começo? Meta é uma coisa que só tracei na época do vestibular. Agora eu perdi o foco pra quase tudo, vou deixando a vida me levar. Isso me assusta. Tenho medo do futuro, de assumir responsabilidades, de ir embora de casa, de dar tudo errado. Eu tenho 23 anos, mas pareço com uma menina de 19, que acabou de sair do colegial.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Desabafo literário

O que eu vou fazer nessas férias?
Marcar dentista, fazer exame de sangue, praticar alguma atividade física, viajar, ir pra praia pegar uma corzinha (pq desde que voltei do intercâmbio eu e o sol nunca mais nos vimos), dormir, dormir, dormir, começar a ler Harry Potter. Sim, pq eu li apenas o primeiro livro há anos e não continuei. E o pior de tudo foi que adorei. Eu tenho sérios problemas com livros, pq eu começo a ler, gosto - e muito, por sinal - e largo de mão. Que eu me lembre, foram 2 livros que li sem parar pq gostei muito: Ensaio Sobre a Cegueira, apesar da leitura complexa e densa, e Equador, no meu 3º ano colegial, livro de vestibular, mas que eu devorei, pq era minha novela diária. Perdi o hábito de leitura e isso me deixa frustrada. Não consigo mais sentar, abrir um livro e não ficar agoniada pra levantar pra fazer qualquer coisa, seja abrir a geladeira pra procurar "nada" ou checar meu facebook - maldito! Pelo menos não vejo mais nada na TV tb. Livro de arquitetura? Nunca li nenhum. Tenho Cidades Invisiveis e Saber Ver a Arquitetura (excelentes por sinal), mas não li inteiros, pra variar. E agora estou aqui desabafando em vez de estar lendo um livro. Caso seríssimo. Pelo menos eu leio frases e poemas de vez em quando. E outdoors tb. :) Mas sério, tô preocupada. Preciso de ajuda. Recomendem-me bons livros! Mas bons, de verdade. Aqui em casa meu pai tem muitos. Ele lê bastante. Acho que vou na estante dele roubar algum. Mas, antes disso, vou terminar o primeiro de Harry. Eu vou conseguir! (Só pra vcs sentirem meu drama.) Hahaha!

Boa leitura pra vcs tb!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Compra um novo. ;)

Mas a lição que eu aprendi no sábado é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar meu relacionamento com todas essas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.
Tati Bernardi

Ao contrário do amor - Martha Medeiros

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.